'Wolbachia' permite que insectos não sejam infectados pelo vírus
Esta doença é provocada por quatro estirpes de um vírus que infecta as pessoas através das picadas do mosquito Aedes aegypti. O vírus causa febre, dores musculares e pode ser fatal, nos casos de febre hemorrágica.
Até agora, a única forma de combater a doença consiste no controlo da população de mosquitos. Contudo, dois artigos publicados na “Nature”, indicam que a bactéria agora detectada é capaz de transformar completamente populações locais de mosquitos em poucos meses.
Depois disso, os investigadores recorreram a uma estirpe da Wolbachia menos violenta e obtiveram um resultado inesperado ao verificar que a bactéria impedia o insecto de ficar infectado pelo vírus da dengue sem matá-lo. Até agora, ainda não se sabe como é que a bactéria protege o mosquito do vírus, mas os investigadores acreditam que pode ser um processo molecular, um aumento da resposta imunitária ou ambos.
Após perceberem este processo, o grupo de especialistas soltou milhares de mosquitos infectados com a bactéria em Queensland, na Austrália, sendo que a bactéria prosperou. Houve localidades onde a percentagem de mosquitos capturados com a bactéria variava entre 80 e 100 por cento. Também foram encontrados elementos da nova população espalhados em locais onde não foi libertado nenhum insecto.
Com esta taxa de sucesso, o mundo científico está confiante no “início de uma nova era de controlo de doenças transmitidas por mosquitos”, disse Jason Rasgon, especialista do Instituto de Investigação de Malária de Johns Hopkins, em Maryland, EUA, num comentário sobre a descoberta publicado também na “Nature”, acrescentando que, como “a população de mosquito é alterada em vez de ser eliminada, os efeitos nos ecossistemas serão mínimos.” Esta técnica poderá agora ser implementada noutros locais do mundo, como Brasil, Vietname, Tailândia e Indonésia.
Fonte: Ciência Hoje- Portugal
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